a história é uma só. o quanto eu estou dilacerada, me arrastando pelos cantos. o quanto a maquiagem é lavada ao longo do dia, o quanto eu durmo mal, o quanto eu precisei que a lori deitasse os porta-retratos em casa porque sozinha, eu não conseguia.
sessões eternas de terapia, as lágrimas pingando enquanto eu pago o ticket de estacionamento sob olhares consternados do atendente que pergunta débito ou crédito. o rh da firma me perguntando se eu estou bem e eu dizendo que sim, que vou ficar, sem a menor certeza do que estou dizendo. muito de vez em quando parece claro, e depois desaparece. some. eu oscilo entre "ok, estamos conseguindo" e "meudeus, o que vai ser de mim". o psiquiatra recém inserido no contexto me dando um troço pra ajudar a dormir, e eu pedindo a ele algo que me ajudasse a estar acordada e lidar com a realidade. e ele me dando homeopatia. juro.
que vida essa minha em que o diagnóstico é coração partido e só o tempo cura?
minha vida foi fácil até agora. nunca perdi nenhum amor, primeira vez. eu romanceei o meu romance, e achei que ele duraria pra sempre, desconsiderei a verdade mais crua, a regra primeira. pessoas mudam de ideia.
que vida besta essa minha mania de achar que ser muito bom era suficiente. não era. que besta eu achar que ele não poderia mudar de ideia. ele poderia. ele pode. ele até mudou.
eu poderia mudar de ideia. não fui eu, mas podia ser. não que eu ache que eu mudaria. eu teria vivido a minha vida inteirinha ao lado dele, sendo feliz, feliz. e aí não deu, né? e agora eu tenho essa dor pra resolver. eu não posso ouvir nenhuma música, eu não posso conversar nenhum assunto. porque tudo lembra e tudo era a gente, e agora não sobrou nada.
eu até escorreguei para a raiva. como se ele fosse uma pessoa ruim, mas que mal existe em deixar de amar alguém? de ver que a vida é mais, e que talvez se queira outras coisas, outras paisagens, outras pessoas. podia ser eu. só que não foi. ele não é ruim. e nem eu. é que a vida aconteceu com a gente e eu, menina mimada, choro porque perdi meu presente.
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