esse blog foi o lugar onde eu estive mais espalhada. depois que eu juntei os cacos, não cabia mais aqui. muita gente que me conhecia vinha, e eu estava exposta. eu nunca me recuperei de ter abandonado esse espaço. era eu. eu e a cidade. eu e as pessoas.
eu comecei a namorar com dois anos de são paulo. deixei de ser anônima. todas as minhas experiências foram guiadas por um nativo. não fui conhecer os parques porque eles eram muito cheios nos finais de semana. passei meus sábados e domingos entre almoços na casa da mãe, e da avó, e meu deus, como eu amei aquelas pessoas. eu me descolava do meu corpo e me via do alto, a sala de jantar, os sorrisos, a coca-cola especialmente comprada pra mim. eu fazia parte. eu fazia planos. eu juntava o meu sobrenome com o dele, eu falava dos filhos. eu fui tão absurdamente feliz. eu me distanciei da garota anônima. eu era paulistana, veja só. tinha compromissos familiares, uma vida que eu escolhia. eu deixei de explorar a cidade, eu comecei a ir do trabalho pra casa, eu perdi o foco no que tinha me trazido pra cá. eu troquei de emprego 3 vezes, fiquei desempregada duas vezes, duvidei de mim um milhão de vezes. me meti em confusões dantescas, que o juízo recem adquirido jamais me deixaria contar.
mas eu era feliz. eu não teria abandonado essa vida por nada.
e então eu fui abandonada. eu me encontrava nos meus escritos e eu parei de escrever. eu me perdi. eu virei uma dessas pessoas que anda na rua e segue horários, que sorri e finge prestar atençao em histórias aleatórias. eu enchi a casa de estantes e colori as paredes, e imprimi as fotos. e agora eu não sei o que fazer com nada disso.
acabou. eu tenho 35 anos recém completados e eu tive o meu coração partido pela primeira vez na vida.
nunca eu me senti tão estranha, tão estrangeira, tão anônima nessa são paulo que me engoliu sem eu nem perceber, enquanto eu era feliz, feliz.
voltemos ao início. eu acabei de chegar. eu preciso firmar os meus pés. eu estou espalhada. eu preciso buscar qualquer coisa que me lembre quem eu fui, quem eu sou e o que eu vim buscar aqui.
e agora?
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